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O Partido dos trabalhadores está com os dias contados.

Pressionado por aliados a assumir o comando do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende "uma cara nova" para o lugar do atual presidente do partido, Rui Falcão, após a derrota acachapante que o petismo sofreu nas eleições deste ano.
Segundo a Folha apurou, conselheiros próximos a Lula são contrários à ideia de que ele seja alçado à presidência do PT em 2017 e têm convencido o ex-presidente de que ele precisa se dedicar à sua defesa na Lava Jato e à elaboração de um novo projeto para a esquerda do país.
Lula, que já defendeu o nome do ex-ministro Jaques Wagner (Casa Civil) para o posto, mas desistiu diante da negativa do aliado, tem dito que é preciso "renovar" a direção petista o quanto antes para "reconectar" o PT com outros campos da esquerda, como movimentos sociais, sindicais e partidos políticos.


Diante do cenário sombrio e ainda sem nenhuma grande estratégia definida para o futuro, a cúpula petista convocou uma reunião da executiva nacional para quarta-feira (5), em Brasília, com objetivo de discutir as eleições internas e os rumos diante da maior crise enfrentada pela legenda.
Mesmo com as sinalizações negativas de Lula, dirigentes petistas vão insistir na tese de que o ex-presidente deve assumir o comando do partido, defendendo que esse é um "momento excepcional".
De acordo com Florisvaldo Souza, Secretário de Organização do PT, até mesmo o atual presidente do PT defende essa ideia. "Acho que a vontade do Rui [Falcão] é pelo Lula", afirmou à Folha.
Além de traçar um calendário para as eleições internas, que devem acontecer no início do ano que vem, o encontro da cúpula petista servirá para fazer um balanço sobre a disputa municipal -na qual o PT perdeu cerca de 60% das prefeituras em relação a 2012 e passou de terceiro para décimo lugar entre os partidos com melhor desempenho.
Em 2012, o PT elegeu 644 prefeitos e este ano o número despencou para 256, além dos sete que ainda disputarão o segundo turno.
Frente ao que dirigentes da sigla chamaram de "tsunami", petistas defendem um "debate interno" e uma "autocrítica" para reorganizar o partido e tentar fazer com que o PT chegue com algum fôlego na disputa de 2018.
A ideia é "assumir" erros cometidos nos últimos anos sobre financiamento de campanha e a falta de empenho para reformas estruturais como a política e a trabalhista.
"O partido precisa passar por um profundo debate, é hora de revitalizar todas as suas instâncias, reformular estratégias, porque não estamos mais no governo, somos oposição e, como oposição, vamos agir e estabelecer metas de médio e longo prazo", afirmou Florisvaldo.
POLÊMICAS
Apesar da defesa de Lula por um nome novo no comando do PT, um dos argumentos de quem pede o ex-presidente à frente da sigla é que não há alternativa entre os quadros petistas.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foi cogitado por alguns dirigentes, mas descartado diante do que lulistas consideram uma "emergência" que "só será resolvida" por Lula.
Outro foco de divisão interna é a antecipação do PED (Processo de Eleições Diretas), que deveria acontecer em novembro. Enquanto Lula e Falcão, além de setores da esquerda e do centro petista, defendem que a eleição interna seja feita em março, durante o congresso antecipado do partido, integrantes da CNB, corrente majoritária petista, querem antecipar o PED, com o intuito de "revitalizar o partido", e convocar o congresso já com os novos delegados eleitos para debater a conjuntura política.





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